A nova criação de KOR'SIA surge da tradição e do popular, entendido como património vivo: não como formas a serem representadas, mas como materiais que podem ser reativados no presente. Neste contexto, a figura do juglar medieval surge como um princípio operativo e imaginativo: não como uma personagem histórica, mas como uma função liminar, suspensa entre a ordem e o excesso, entre a verdade e a ficção, capaz de pôr em circulação o gesto, a voz e a comunidade.O juglar não impõe um único significado, mas põe o sentido em movimento. A sua loucura não é perda, mas permissão; não é negação, mas abertura. Através do mascarar, do excesso e da brincadeira, torna visível aquilo que geralmente é deixado de fora.