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Percursos Musicais a partir do livro Capitalismo Canibal

Centésima Página
Percursos Musicais a partir do livro Capitalismo Canibal
O capitalismo separou brutalmente os seres humanos dos ritmos naturais e sazonais, recrutando-os para a laboração industrial, alimentada por combustíveis fósseis, e para a agricultura em vista do lucro, com recurso a fertilizantes químicos. Ao mesmo tempo, o neoliberalismo promete obliterar a fronteira natureza/humano, como é bem visível nas novas técnicas reprodutivas e na evolução contínua dos ciborgues. Longe de proporcionarem uma «reconciliação» com a natureza, esses desenvolvimentos intensificam a sua canibalização pelo capital.Omnívoro e alarve, o capital canibaliza todas as esferas da vida, sugando recursos naturais, explorando populações racializadas e minando a prática política. Se à actual urgência climática acrescem crises económicas sucessivas, o colapso da democracia e uma crescente hostilidade face a minorias, CAPITALISMO CANIBAL (2022) traça a linha que une todos os pontos – o apetite insaciável de um modelo económico e social arrasador – e propõe-nos que imaginemos novos sistemas para o substituir. Síntese do labor investigativo de Nancy Fraser, este é um livro urgente para compreendermos o capitalismo do século XXI e ousarmos formas de lhe resistir.Armando Sousa é arquivista e programador na Fonoteca Municipal do Porto, onde dinamiza uma coleção de discos de vinil através de atividades multidisciplinares, entrevistas e sessões de escuta. A sua formação em História, e o seu interesse por aspetos sociais e culturais, levaram-no a desenvolver trabalhos acerca do papel da música nas relações entre esfera pública e privada, bem como daquela com as elites políticas.