As páginas web com links fantasma, os vídeos pouco populares no YouTube, as diversas imagens que compõem os conjuntos de dados de aprendizagem automática são espaços digitais opacos a que o olho humano tem pouco acesso, mas que podem estar repletas de visualidade. A matéria escura digital é a hipótese levantada relativa a estes dados inertes no seio de vastas e complexas infraestruturas digitais. À semelhança do conceito homónimo da astrofísica, a sua existência pode ser inferida pela ausência. Este conteúdo existe como uma espécie de matéria paralisada que pode afetar a construção global da cultura digital, embora possa nunca ter sido vista por seres humanos. Matéria Escura Digital explora este conceito, especulando sobre o que pode estar na sua composição e sobre o que nos poderá revelar sobre as lacunas não visuais dos sistemas computacionais. A viver em Portugal, o trabalho de Rosemary Lee foca-se na tecnologia e na forma como o discurso à sua volta é influenciado por tendências do passado. Debatendo aspetos da cultura digital que moldam a realidade contemporânea, a sua nova exposição analisa a operacionalização da visão que se tem manifestado nos avanços da inteligência artificial generativa. Esta obra convida-nos a refletir sobre as forças intangíveis que podem influenciar as tecnologias avançadas e quais as implicações que isso pode ter para a cultura visual. A 12 de dezembro, a artista norte-americana apresenta a investigação por detrás do tema desta exposição numa masterclass promovida pelo Circuito. apoios república portuguesa – cultura, juventude e desporto / direção-geral das artes / rede de teatros e cineteatros portugueses (rtcp). rede portuguesa de arte contemporânea (rpac).