Música

félicia atkinson

Gnration
félicia atkinson
Para Félicia Atkinson, as vozes humanas vivem rodeadas de muitas outras. Vozes de objetos, de paisagens, de livros, de imagens, de ideias, de memórias, vozes que não falam – pelo menos no sentido convencional da palavra.  Natural de Paris, a compositora eletroacústica dedica grande parte do seu trabalho a avivar estas vozes mudas, colocando-as em diálogo com a sua. Recorrendo a técnicas de colagem sonora, muitas introduzidas pelo também francês Pierre Schaeffer e o seu Groupe de Recherches Musicales (GRM), Atkinson combina gravações de campo, instrumentação MIDI, distorção, excertos de textos e ensaios e, principalmente, poesia. Foi, aliás, através da poesia que deu os primeiros passos na música. Inspirada pela poesia sonora de  Christophe Fiat e Anne-James Chaton, começou a compor no início da década de 2000. Formou o duo de música concreta Stretchandrelax, com Elise Ladoué, e envolveu-se com o spoken word através de uma colaboração com Sylvain Chaveau. A relação da sua música com o texto poético é também o foco de uma masterclass que a compositora orienta na manhã antes do concerto, promovida pelo Circuito.  Após os primeiros experimentos em duos e grupos, La La La, o primeiro disco em nome próprio chegou, finalmente, em 2008, com selo da editora japonesa Spekk. Pouco depois, conheceu Bartolomé Sanson e juntos fundaram a Shelter Press, em 2012. Nos anos seguintes, a editora tornou-se num selo de referência para a promoção do diálogo entre a arte contemporânea, a poesia e a música experimental, publicando livros, revistas e discos. Através da sua Shelter Press, Félicia Atkinson lançou o livro The Whisper e uma dezena de discos, entre trabalhos solo e colaborações com nomes como Jefre Cantu-Ledesma. Dos seus muito trabalhos em nome próprio destacam-se The Flower And The Vessel (2019), Space as an Instrument (2024) e Image Langage (2022). Recentemente editou Sans Visage (2026), que propõe uma nova banda-sonora para o filme de terror Les yeux sans visage (1960) de Georges Franju, e Reflections Vol.3: Water Poem (2026), com Christina Vantzou, lançado pela Rvng Intl. Colaborou ainda com Stephen O’Malley e os ensembles Eklekto e Neon, e soma passagens em salas e festivais de referência como Le Guess Who, Atonal, Issue Project Room e Barbican.   apoios mais frança, um programa promovido pelo institut français du portugal e inserido no novembre numérique.  república portuguesa – cultura, juventude e desporto / direção-geral das artes / rede de teatros e cineteatros portugueses (rtcp). rede portuguesa de arte contemporânea (rpac).