Curadoria: Wiktoria Michałkiewicz
O sonho de curar a água
O Peru alberga 70% dos glaciares tropicais do mundo, mas 40% da sua área de superfície desapareceu apenas nos últimos cinquenta anos.
Os glaciares são uma fonte de água crucial no Peru. As pessoas são obrigadas a adaptar-se à medida que estes desaparecem.
De acordo com o Instituto Nacional de Recursos Naturais do Peru, os 200 glaciares existentes no país estão em risco. Teme-se que em breve todos desapareçam por completo.
Nos Andes, devido ao derretimento dos glaciares, as rochas estão expostas ao ar pela primeira vez em milhares de anos. A água proveniente do derretimento dos glaciares transporta agora minerais ácidos e metais pesados para os rios. E, a partir dos rios, para as culturas e para a água potável destinada ao gado e às pessoas.
Esta é a história de comunidades montanhosas remotas que dependem da água e estão a tentar lutar contra os efeitos das alterações climáticas através de adaptações inovadoras, combinando tradições ancestrais com ciência de ponta.
Estupas de gelo
Nas últimas décadas, as comunidades nos Himalaias foram forçadas a abandonar os seus vales devido a problemas hídricos, transformando-se assim em refugiados climáticos. Os glaciares dos Himalaias têm vindo a diminuir e a escassez de água nunca foi tão grave. Estão a ser construídas torres de esperança.
Em 2015, dois talentosos habitantes de Ladakh, na Índia, incluindo um engenheiro chamado Sonam Wangchuk, inventaram um tipo de estrutura de gelo em socalcos que ajudou a preservar o gelo e permitiu que este se transformasse lentamente em água de degelo, incentivando o gelo a formar estruturas compactas e em forma de socalcos que derretessem mais lentamente. Partindo desta técnica, desenvolveram o que se designa por «estupas» de gelo, ou seja, glaciares artificiais que se assemelham às estruturas religiosas tibetanas chamadas estupas. Trata-se, essencialmente, de cones gigantes de gelo cuja origem é a natureza mas idealizados pelo homem. Estes cones funcionam como torres de água que armazenam a água do degelo do inverno para irrigar as sementeiras da primavera nos vales inferiores.
Custo de Entrada: Sala do Recibo e Cavalariças – Entrada Gratuita
Hospedaria Monástica, Salão da Ouvidoria, Celas e Corredor da Livraria – 4,00€
Horário: Terça a domingo: 10h00–18h00
Segunda: Encerrado