Exposição

Imagined Territories – Horizon Denied — Alwin Maigler

Museu da Imagem
Imagined Territories – Horizon Denied — Alwin Maigler
Curadoria: Wiktoria Michałkiewicz

Horizon denied (2024/2025), [Horizonte negado] (2024/2025), Alwin Maigler, fotografado inteiramente em formato analógico

A fotografia tem funcionado, desde há muito, como um instrumento de poder. Durante a era colonial, a câmara tornou-se uma ferramenta de domínio, utilizada para classificar, reivindicar e construir narrativas sobre o território e sobre as pessoas. Na antiga «Deutschsüdwestafrika», a atual Namíbia, colonos e soldados alemães fotografaram as suas pretensas «descobertas» e conquistas, transformando os territórios e as populações indígenas em objetos de observação, em vez de seres humanos autónomos. A câmara nunca foi neutra; participou ativamente no projeto colonial. Foi cúmplice.

Fotografar a Namíbia hoje, enquanto artista alemão, significa confrontar este fardo histórico. O genocídio contra os Herero e os Nama, entre 1904 e 1908, marcou o primeiro genocídio do século XX. Dezenas de milhares de pessoas foram levadas para o deserto, ali onde poços envenenados, fome e sede se tornaram armas de extermínio.

No entanto, as representações visuais da Namíbia continuam a reproduzir fantasias coloniais: dunas vermelhas intermináveis, paisagens intocadas, um vazio romantizado. Estas imagens anulam frequentemente a violência, ao mesmo tempo que enfatizam a estética destes territórios marcados pela expropriação. «Horizon Denied» rejeita esta tradição visual. Na Namíbia, as estruturas de poder coloniais permanecem visíveis até aos dias de hoje. Embora a população branca represente apenas uma pequena percentagem dos habitantes do país, uma parte desproporcionalmente grande dos terrenos agrícolas comercialmente exploráveis continua a ser propriedade de brancos — um legado direto do domínio colonial alemão e, posteriormente, sul-africano. A distribuição desigual da terra, da riqueza e das infraestruturas continua a moldar a relação entre as comunidades negras e brancas, revelando que a violência colonial não é meramente uma memória histórica, mas uma realidade concreta ainda em vigor.

Este trabalho neutraliza a orientação através da abstração. Os horizontes desaparecem, as escalas desmoronam-se e as distinções entre terra, água e céu tornam-se instáveis. As fotografias produzidas durante caminhadas solitárias e voos em aviões monomotores, negam deliberadamente ao observador o rigor espacial. Torna-se impossível determinar se a câmara está posicionada no solo ou suspensa no ar, se uma imagem retrata um detalhe microscópico de areia, água ou uma paisagem imensa.

A abstração torna-se aqui um ato de resistência. Abstrair é recusar o impulso colonial de posse através da visualização. Nenhum território pode ser claramente mapeado, reivindicado ou consumido. As imagens resistem ao olhar autoritário a que a fotografia historicamente serviu. Em vez de apresentar a Namíbia como uma paisagem ou um recurso exótico, este trabalho aborda o território como algo irredutível — uma presença para além da posse, para além do espetáculo, para além da clareza exigida pelos sistemas de poder.

«Horizon Denied» questiona, em última análise, se a fotografia pode desconstruir a sua própria história de cumplicidade. Se a câmara funcionou outrora como uma ferramenta de apropriação, poderá também tornar-se um espaço de incerteza, responsabilização e restituição?

Custo de Entrada: Entrada Gratuita

Horário: Terça a domingo: 10h00–13h00 | 14h00–18h00