Cinema

Fordlândia Panacea” (2025), de Susana de Sousa Dias + “Cantos da Metamorfose ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto” (2024), de Ainá Xisto

Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva
Fordlândia Panacea” (2025), de Susana de Sousa Dias + “Cantos da Metamorfose ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto” (2024), de Ainá Xisto

O Lucky Star – Cineclube de Braga dedica o mês de setembro e outubro ao tema lançado pelos Encontros da Imagem. Intitulado “Territórios do Real e do Imaginário: O Cinema como Comunidade Imaginada”; o ciclo contempla oito filmes, cujas exibições acontecem às terças-feiras, na @bibliotecaluciocraveiro, às 21h30. O tema deste ano foca-se na “comunidade imaginada”, mas sob uma perspectiva não antropocêntrica, abraçando outras cosmologias culturais e alargando-se a outros seres sencientes e não sencientes. O ciclo continua com “Fordlândia Panacea” (2025), de Susana de Sousa Dias, e a curta-metragem “Cantos da Metamorfose ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto” (2024), de Ainá Xisto. Produzidos entre Portugal e Brasil, os dois filmes partem da Amazónia para reenquadrar a memória, a natureza e os modos de vida que escapam às lógicas dominantes de exploração e representação. “Fordlândia Panacea” retoma o território amazónico e os temas abordados em “Fordlândia Malaise”. Desta vez, a realizadora retrata o presente de uma localidade, equivocadamente tida como cidade-fantasma, que continua habitada e onde permanecem vestígios da cidade-industrial criada por Henry Ford, em 1928, para a produção de borracha. O filme recusa essas designações para revelar um território habitado, onde permanecem as marcas do capitalismo e do extractivismo, mas também formas de resistência e de relação com a terra. A sessão é acompanhada por “Cantos da Metamorfose ou Aquela Vez Em Que Eu Encarnei Como Boto”, de Ainá Xisto. Filmada em 16mm, a curta experimental expõe, através de paisagens naturais, uma narrativa mítica e uma dimensão mais-que-humana, o abuso sexual e o trauma.