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  Os Olhos
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DESCRIPTION:PERFORMANCE15 de Outubro ás 17h"Fuga Para o Tempo Presente - O
  Leve Poder Da Lua Apenas Queima Os Olhos" de Hugo Calhim Cristóvão & Jo
 ana von Mayer Trindade Sinopse:Eis a dança. É neste limiar nu\, feroz\,
  gentil\, que impermanecemos. Na faca ferida onde o instante se fornece pl
 eno\, desfazendo-se antes de amadurecer. Conjugamos Dança e Filosofia - S
 ó o gesto que escapa\, que falha\, que vive no auge antes do sentido nasc
 er\, carrega em si a potência de tornar grávido o impossível. Dançamos
  o que sucessivamente está em desaparecimento. O desaparecer que aparece.
  O que arde na ausência de permanência. O que permanece porque desaparec
 e.O princípio gerador do fim é Fernando Pessoa: “O Oriente ao Oriente 
 do Oriente”. Começamos no outrora e na lonjura. Começamos nas raízes 
 e aranhas que se ramificam como sombras para suar e tecer horizontes fratu
 rados. Paul Celan traz-nos a fuga para a morte e o “limiar” – respir
 ação suspensa\, apneia de gestos\, espaço entre a queda e a criação. 
 Herberto Hélder\, a “metamorfose” – tudo é interminável e contín
 uo porque tudo se dissolve. Nesse interminável\, dançamos.“A impermanÃ
 ªncia: eis o que nos estrutura. Nishida: “No verdadeiro ser\, o nada nã
 o é negação\, mas a forma primordial do existir”. Tudo vibra\, tudo r
 espira\, tudo perece - Há a vibração\, há a respiração\, há o perec
 er. Heidegger insiste\, ser é ser-já-dado ao fim\, ao horizonte da finit
 ude\, já lançado. Simone Weil\, lâmina atenta\, diz: “A atenção é 
 a forma mais rara e pura de generosidade”. E nós estamos atentos. Apen
 as atentos permanecemos e resistimos à dissolução visível. Benjamin\, 
 o acontecimento como uma faísca na escuridão da história. E Kierkegaard
  fala-nos da vertigem: “É a vertigem da liberdade”. Dançamos na vert
 igem como quem acaricia o andar sobre o arame invisível de um tempo prest
 es a ruir. Mas o mundo. O mundo é um poço. Genocídios que se multiplic
 am como ecos. Guerras e estupidez. Fascismos\, velhos e novos\, dançam co
 m ditaduras gritos roucos de violência. O desastre climático devora o pl
 aneta. Dia a dia alarga o festim. Camadas de crise acumulam as paralizaçÃ
 µes. Náusea\, nojo existencial\, ansiedade\, insatisfação\, doença men
 tal\, doença social. Cidades\, prisões invisíveis. A identidade fragmen
 tada em estilhaços\, em réplicas rígidas e pobres. As correntes invisí
 veis da exploração e da exclusão apertam o nó.Pessoa guia-nos\, o Orie
 nte é dentro Dançar é erguer alternativas no centro do podre. Momentos 
 que escapam ao podre\, que vibram no agora\, insustentável. Nietzsche rec
 orda e todos repetem: “Deveis ter o caos dentro de vós para dar à luz 
 uma estrela dançante”. O caos está aqui\, magnífico na sua indiferenÃ
 §a aos ritos de salvação. Mas a estrela\, frágil\, também. É irrepetÃ
 ­vel : “O leve poder da lua apenas queima os olhos.”Mergulhamos na fra
 gilidade de que nunca saímos. A temporalidade da dança não é resistên
 cia. É persistência. Movimento que resiste ao fim pelo próprio ato de s
 e tornar finalidade. A dança é Ser\, já dado ao fracasso\, mas insistin
 do em existir. Heidegger diz: seres-para-a-morte. Herberto Hélder respond
 e: “Os mortos não param de nascer no centro do poema”. Poema-corpo. A
  dança convoca ontologia – o ser lançado no tempo – e  meontologia\
 , o estudo do que é ausência\, o Nada. Nishida: “No vazio absoluto\, n
 ão há oposição\; apenas o lugar que permite que o ser surja”. Dança
 r é isso. Falhar o ser. Transformar a explícita urgência em prática. P
 rocurar o ethos artístico como quem excita a fogo com as mãos nuas uma f
 uga para o tempo presente.O presente dança\, frágil. Cresce de medos\,te
 mores que devastam o humano. Cresce de fascínios\, de sonhos despedaçado
 s. O que foi antes utópico agora escorre pelos dedos\, sujo de palavras\,
  sujo de indiferença. Mas a compaixão? A compaixão corre pelo mundo. Fo
 ge pelo impermanente\, foge pelo fracasso\, foge pela perda\, foge pelo qu
 e se assassina de súbito. Abraça. A geopolítica sorri: genocídios\, ma
 ssacres\, destruição. Mas Weil\, a lâmina\, diz: “Há uma só coisa q
 ue importa: aprender a desejar a perdição.”O conflito sempre é. Insta
 nte contra Eternidade. Permanência contra Impermanência. Ethos\, Pathos\
 , Logos\, e o Nada. Dança\, improvisação\, composição\, memória core
 ográfica – carregam esse combate de rio em rio\, de mar em mar. Cada mo
 vimento  já um vestígio de despedida e um grito de lembrança. Herberto
  Hélder: “Tudo é desmedido\, mas o centro é invisível.” E Herácli
 to\, dos fragmentos do seu pensamento: “A guerra é o pai de todas as co
 isas” Dançar é este combate contínuo\, onde cada gesto nasce do que d
 esaparece. Onde o corpo impermanece enquanto se sucede. Onde “habitar é
  estar em trânsito mas com raízes no impossível” (Eduardo Lourenço).
 De impermanência em impermanência\, a resiliência vibra no presente frÃ
 ¡gil. Dançar\, sobra-nos. Porque “A faca não corta o fogo”\, porque 
 a faca\, no momento\, transforma nada em ser. Dançar\, metamorfose contí
 nua. Metamorfose contínua que recusa o desaparecimento pela imersa fragil
 idade do aparecer. Porque a presença é trémula\, diamante que brilha. P
 orque o gesto frágil\, que escapa\, é o que impermanece. E nós dançamo
 s. Porque só no movimento recusamos o fim. E\, no fim\, eis a dança.” 
 Hugo Calhim Cristóvão & Joana von Mayer Trindade Ficha ArtísticaDireç
 ão\, Coreografia\, Dramaturgia e Formação Hugo Calhim Cristóvão & Joa
 na von Mayer Trindade| Dança e Interpretação Sara Miguelote | Desenho d
 e Luz Luís Silva\, Luís Ribeiro e Bárbara Falcão | Figurinos UN T Ceno
 grafia UN T & NuIsIs ZoBoP | Música Liszt Études d' exécution transcend
 ante |Desenho de Som João Oliveira & NuIsIs ZoBoP | Teoria e Filosofia Hu
 go Calhim Cristóvão\, Joana von Mayer Trindade\, Celeste Natário\, Carl
 os Pimenta\, Cláudia Marisa\, Cristina Aguiar\, Ezequiel Santos\, Rui Lop
 o\, Mário Correia\, Nuno Matos Duarte\, Chris Page\, Afonso Becerra\, Arm
 ando Nascimento Rosa\, Luís Ramos\, Elter Manuel Carlos e Sofia Vilar Soa
 res | Vídeo Os Fredericos |Fotografia Alípio Padilha\, João Peixoto\, L
 uís Ferreirinha e Leonel Castro| Produção Cristina Aguiar & NuIsIs ZoBo
 P | Apoio Festival Escenas do Cambio e Fábrica da Criatividade\, Castelo 
 Branco | Residências Artísticas Centro de Criação e Investigação Nui
 sis Zobop.Duração: aproxi. 30 minutosClassificação etária: +6 anos P
 arcerias WoW Porto\, Fundação Marques da Silva\, Centro Português de Fo
 tografia\, Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade d
 o Porto\, Instituto de Sociologia da Universidade do Porto - FLUP\, Escola
  do Superior de Educação do Porto\, Escola Superior de Arte Dramática d
 a Galiza\, ESMAE-Escola Superior Música e Artes do Espetáculo do Porto\,
  Universidade Lusófona do Porto\, Forum Dança\, Companhia Dançando com 
 a Diferença\, Junta de Freguesia do Bonfim e Casa Comum - Reitoria e Espa
 ço Agra.A Nuisis Zobop é uma estrutura financiada por República Portugu
 esa - Cultura\, Juventude e Desporto | DGartes / Direção-Geral das Artes
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