Na Casa da Minha MãeAnabela Mota Ribeiro regressa à ficção, com um romance incandescente que interpela o dito e o não-dito - é a confirmação do seu nome entre os melhores da ficção portuguesa atual.Ao desmanchar a casa do pai após a sua morte, Conceição, a filha de um renomado psicanalista, encontra novos cadernos de uma paciente, escritora e estudiosa da obra de Machado de Assis. Neles reconhece um espelho do seu luto: também Ester enfrenta a orfandade, mas de uma mãe viva, em coma.No hospital, Ester lê alto os seus escritos, como quem faz uma leitura de si própria. Nada, contudo, que a mãe possa receber; não só por estar em coma, mas porque a filha se lhe tornou uma estranha - mais, uma estrangeira, uma trânsfuga.Esta partilha recorrente é uma viagem ao seu começo e ao seu fim (o presépio, o cemitério), identifica uma genealogia e o que esta implica de familiaridade e incompreensão, desvela uma condição de deslibido, isto é, sem amor pela vida e sem desejo sexual. Percorre e narra os labirintos da memória, num movimento ora dispersivo (mergulhando no inconsciente e no onírico), ora agregador no regresso à ideia de casa - que é o corpo, que é o mundo.Anabela Mota Ribeiro nasceu em 1971 em Trás-os-Montes. Vive e trabalha em Lisboa. Fez a licenciatura e o mestrado em Filosofia na Universidade Nova de Lisboa. No doutoramento, que frequenta, prossegue o estudo do escritor brasileiro Machado de Assis. Foi visiting research fellow da Brown University em 2019. Publicou os livros O Sonho de Um Curioso (2003), Este Ser e não Ser. Cinco Conversas com Maria de Sousa (2016), Paula Rego por Paula Rego (2016), A Flor Amarela. Ímpeto e Melancolia em Machado de Assis (2017), Por Saramago (2018) e Os Filhos da Madrugada (2021 e 2022). Jornalista freelance, colaborou com diversos jornais e revistas, e trabalhou na rádio. É autora e apresentadora de programas de televisão, sendo os mais recentes Os Filhos da Madrugada (2021 e 2022, RTP3) e Calendário do Advento (2022, RTP3). Enquanto programadora cultural, colabora com instituições de referência. Entre outros projetos, assinou, com José Eduardo Agualusa, a curadoria da Feira do Livro do Porto em 2017, 2018 e 2020. É membro do Conselho Geral da Universidade de Coimbra. O Quarto do Bebé é o seu primeiro romance.Hoje, 3 de Maio«Fui condenado a ouvir o eco permanente de um disparo que não pintei.»«Viver uma guerra à distância é como olhar para este quadro. É estar lá sem estar dentro, é estar de fora sem estar cá fora. Vivo à distância. a guerra à distância. o horror à distância. a morte à distância. o medo à distância. o desastre à distância. É tudo uma mera notícia.»Hoje, 3 de Maio é um romance escrito a partir do quadro Fuzilamentos de 3 de Maio de 1808, de Francisco José de Goya y Lucientes. Um retrato de quem fuzila e de quem é fuzilado numa Europa que permanece, até hoje, presa num tempo de guerra.Patrícia Portela (1974). É autora de espetáculos, instalações e obras literárias. Tem um mestrado em cenografia e outro em filosofia; estudou dramaturgia, dança e cinema, em Lisboa, Utrecht, Londres, Helsínquia, Ebeltoft e Leuven. Cresceu em Macau, viveu duas décadas em Antuérpia e habitou brevemente em Paris e Poznan mas por razões meramente pessoais. Atualmente vive em Paço de Arcos. Itinera com regularidade pela Europa e pelo mundo e é reconhecida nacional e internacionalmente «pela peculiaridade da sua obra», com a qual recebeu vários prémios. É autora de romances e novelas como O Banquete (2012, finalista do Grande Prémio de Romance e novela APE) ou Hífen (finalista do Prémio Correntes d'Escritas, Prémio Ciranda em 2022 e escrito com uma bolsa DGLAB). É cronista regular do Jornal de Letras, Artes e Ideias desde 2017 e foi cronista na rádio Antena 1 em «O Fio da Meada» por 6 meses (2019-2020). Os seus textos foram reunidos e publicados no livro Crónicas Fora de Jogo em 2022. Durante a pandemia foi diretora artística do Teatro Viriato em Viseu, que nunca fechou as suas portas (2020-2022), e da Rua das Gaivotas 6, em Lisboa (2023–2024).